Os detidos no dia 27 de Junho vão ser julgados daqui a cerca de 15 dias. Manifestantes queixam-se que nunca lhes foi indicado que estavam a fazer algo de ilegal.

O Tugaleaks teve acesso a um documento da PSP, o qual publicamos na sua totalidade, que indica que toram detidos por Atentado à Segurança de Transporte Rodoviário. Quando foi explicado o motivo da sua detenção a um membro dos Anonymous ele disse “ah, ok” pois não sabia ainda, passados dois dias, do que tinha sido acusado exatamente.

 

Detidos na Greve Geral: a PIDE “já voltou há muito tempo”

 

Este é um crime presente no Art. 290º do Código Penal, que pode chegar a uma pena de 5 anos.
O comunicado emitido pela PSP informa que tendo em conta “o cenário de atentado à segurança da circulação rodoviária e considerando a perigosidade e aos riscos efetivos tanto para os manifestantes como para os utilizadores da via de trânsito, foi efetuada uma caixa de segurança e retirado o grupo de cidadãos para um outro local. Em consonância com as disposições previstas no Código de Processo Penal, os participantes nas ações atrás referidas foram identificados, constituídos arguidos, submetidos a termos de identidade e residência e notificados para comparecer no Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa”.

 

O membro dos Anonymous indica uma história diferente. “quem esteve a guiar a manifestação toda foi a polícia, nós estávamos com escolta à frente e atrás”, diz indignado. Afirma também que “eu só soube quando estava a fazer algo de errado à meia noite e trinta foi quando assinei os documentos”. Agora, sobre a audiência de 12 de Julho, afirma que ““prefiro ir a julgamento e provar a minha inocência do que pagar multa”.

Sobre o auto entregue – a algumas pessoas já depois da meia noite – afirma que “deram-nos o auto em como estavam 4 policias como testemunhas do sucedido, e estava la a explicar como 10 a 20 membros da manifestação identificados como parte do grupo da rede social Anonymous (…)identificaram também um cartaz nos autos, mas com a frase errada”.
Este membro do conhecido grupo activista, identificado pelo uso da máscara de Guy Fawkes, perguntou ainda “a partir do momento que estava numa ilegalidade deviam-nos parar, não é?” mas embora o Tugaleaks tenha tentado contactar a PSP nesse sentido, não obteve resposta até ao momento.

Já ontem no Tribunal de Pequena Instância em Lisboa aconteceu um incidente, tendo um dos 226 manifestantes tido um ataque epitético. “estava lá um bocado de calor”, diz a nossa fonte.

 

Garcia Pereira lembra os tempos da PIDE

Garcia Pereira disse aos jornalistas que “[o] que temos aqui é uma coisa muito grave, que é a realização de ficheiros políticos com dados de ativistas sociais que vão a manifestações”.

No entanto, Sara Didelet, uma das pessoas detidas, vai mais longe e afirma que “não acho que a pide esteja a voltar, acho que já voltou há muto tempo, os acontecimentos do 14 de novembro já demonstravam isso mesmo! a democracia em portugal não existe”.